Quando a legalidade se torna imoralidade

Depois de matéria
veiculada pelo Atual7, confira aqui, que trata da nomeação da irmã do prefeito,
Arquimedes Bacelar (PTB), para o cargo de Secretária de Saúde da cidade de
Afonso Cunha.  Foi iniciado em grupos de
Whatsapp o debate sobre a questão no nepotismo na política local.

Analídia Bacelar com seu irmão prefeito Arquimedes Bacelar
Segundo o Atual7 a irmã
do prefeito foi anunciada em reunião fechada, na terça-feira última.

Os que defende a
nomeação, dizem que ela ocorre dentro da legalidade, e não há empecilho legal algum
para que ela venha a ocupar o posto. Até porque ela foi coordenadora da
campanha do irmão, trabalhou bastante durante a eleição, então nada mais
natural que ela recebesse os louros, no caso, um cargo na administração
municipal.

É verdade que há por
parte do Supremo Tribunal Federal (STF), um entendimento que permite a nomeação
da irmã do prefeito. Segundo esse entendimento, o cargo de Secretário Municipal
é de caráter estritamente político, logo não se aplica a vedação prevista no
preceito 37 da constituição federal ou verbete vinculante 13.

Agora lhes pergunto
amigos leitores, só por que é ilegal deixa de ser Imoral?

A título de comparação,
em alguns países a prostituição é legalizada, agora por que é legal o ato de se
prostituir deixa de ser imoral?

O que vemos aqui é um
caso entre tantos de prostituição publica, benefício próprio ou de terceiros.
Cargo público não é recompensa! E o gestor não pode confundir a administração
municipal com administração patrimonial. Todo gestor municipal deve ter em
vista a distinção entre a coisa pública e privada. No privado você pode fazer o
que bem entender, o bônus e o ônus será sempre do proprietário. Já no público
não, se houve ônus, o prejuízo é da população.

Além do mais a prefeitura
do município não é uma extensão das empresas do prefeito, onde ele pode fazer
o que bem quer, e contratar quem bem quiser. E até no ramo empresarial, a
contratação de parentes não é vista com bons olhos, pelo menos nas empresas tida
como mais sérias. Pois sempre haverá o conflito de interesses.

Quanto a senhora
Analídia, ela é graduada em Ciência Política, o que não garante em nada que ela
tenha algum conhecimento sobre a lei do SUS, ou saiba qualquer coisa sobre
questões inerente a saúde pública. É possível que ela sequer tenha tido alguma atuação
em algum ramo da saúde pública. Em pesquisas na internet não encontramos nada
que relacione ela a Saúde, nem sequer uma mísera foto em hospital anterior a
sua nomeação ou período eleitoral.

 É preciso que o prefeito apresente alguma justificativa
plausível para nomeação dela, do contrário ficaremos a imaginar que ela se
tornou Secretária unicamente por ser irmã do prefeito.  

A linha entre a
Legalidade e a imoralidade é tênue, e não pega nada bem que logo de cara o
prefeito demonstre não respeitar a coisa pública, ou a opinião popular. 
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