Parceiros: Relação de Roseana com Geddel rendeu “bons” frutos

Uma investigação do governo
federal apura o destino de parte dos recursos repassados ao Governo do Maranhão
em 2009 com o objetivo de recuperar rodovias em quase 70 municípios do estado.
Os recursos deveriam ter recuperado rodovias após uma enchente no estado. Uma
auditoria interna do Ministério da Integração Nacional orienta a glosa de
 R$ 18 milhões – com valores atualizados – em contrato realizado por
aquele órgão e o governo do Estado.

Geddel Vieira Lima, hoje réu da Lava Jato, era o ministro à época. E Roseana
Sarney, a governadora. Parte dos processos foi assinado por seu vice, o hoje
senador João Alberto.

O recurso encaminhado ao governo do Estado visava realizar obras em estradas no
interior para recuperar vias atingidas pela enchente de 2009. Em alguns casos,
no entanto, os recursos não chegaram a seu destino.

É o caso de uma ponte entre os municípios de São Pedro dos Crentes e Fortaleza
dos Nogueiras que deveria ter sido recuperada.

No relatório, a auditoria do Ministério da Integração é taxativa quanto ao
estado da obra que deveria estar concluída: “Estrutura totalmente deteriorada,
está sendo recuperada de forma indevida para reaproveitamento, o que
caracteriza má fé por parte do construtor”. Em outro trecho do relatório,
realizado em 2010, o auditor afirma que a obra que deveria ser recente à época
tem “estrutura antiga, construída há mais de 30 anos, sendo rebocada para
aparentar ser nova”.


Histórico


Em 14 de maio de 2009, a então governadora Roseana Sarney encaminhou ao
Ministro de Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o Plano de Trabalho no
valor de R$ 35 milhões, com o objetivo da reconstrução de estradas estaduais,
recuperação de obras especiais e pavimentação de vias urbanas em 69 municípios,
que se encontravam em situação de emergência, em decorrência das enchentes e
inundações ocorridas naquele ano.

O Projeto de ‘Restabelecimento da Normalidade no Cenário de Desastres’ foi
então aprovado no dia 09 de novembro de 2009 para a recuperação da
infraestrutura pública do Maranhão. No dia 20 do mesmo mês e ano, o Ministério
da Integração Nacional fez manifestação conclusiva sugerindo a liberação dos
recursos pendentes, fazendo ponderações acerca da boa e correta aplicação dos
recursos públicos para o cumprimento do objeto da transferência obrigatória.

As obras, que deveriam ter sido realizadas em um prazo máximo de seis meses, se
arrastaram e o Governo do Estado pediu a prorrogação do contrato – que foi
prontamente atendido pelo Departamento de Reabilitação e Reconstrução (DRR), do
Ministério da Integração Nacional – até o dia 27 de setembro de 2010. No início
de 2011, o Departamento Estadual de Infraestrutura e Transportes (Deint/MA)
encaminhou a documentação comprobatória das obras e a prestação de contas
total.

Mas o que se viu in loco foi uma série de obras inacabadas e remendos feitos a
partir de estruturas deterioradas já existentes. Do que era para ser gasto R$
19,9 milhões em recuperação de pontos críticos em rodovias estaduais, R$ 4,6
milhões em pontes de concreto e bueiros triplos e R$ 9,3 milhões em
pavimentação de vias urbanas, cerca de R$ 18 milhões acabaram não sendo
utilizados por perda de funcionalidade das obras executadas e por desvio de
finalidade do objeto.

O parecer técnico do governo federal sobre os recursos caracterizou apenas o
cumprimento parcial do Plano de Trabalho apresentado pelo governo Roseana
Sarney à época, faltando a utilização de repasses na prestação de contas final.

O relatório fotográfico apresenta uma série de irregularidades nas intervenções
que deveriam ser feitas pelo Governo do Estado com o dinheiro repassado pelo
Ministério da Integração Nacional. Entre as inconsistências notadas: estruturas
antigas, construídas há mais de 30 anos, sendo rebocadas para aparentar serem
novas, pontes que foram iniciadas e que até hoje não possuem funcionalidade,
além de placas, sem obras, que demonstram o descaso com os serviços que
deveriam ser para recuperação emergencial.


Ligações entre Geddel e
Roseana


As ligações políticas do então ministro Geddel Vieira Lima e Roseana Sarney,
ambos do PMDB, facilitou o trâmite dos recursos à época. Nesta semana, a
Polícia Federal prendeu, novamente, o ex-ministro após encontrar em um
apartamento ligado a ele a quantia de R$ 51 milhões, em dinheiro vivo, que
estavam guardadas em malas na cidade de Salvador.

Nesta semana também, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu
denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal), contra cinco senadores e dois
ex-senadores do PMDB, acusados de integrar organização criminosa e receberem R$
864 milhões em propina. Entre eles, o ex-senador José Sarney, um dos
integrantes mais influentes da cúpula do partido.

Fonte: Blog Marrapá

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