Comissão especial debate situação hídrica do Parque Estadual do Bacanga

Uma comissão especial, criada e presidida pelo deputado estadual Rafael Leitoa (PDT), começou a debater, nesta quarta-feira (10), nas Salas das Comissões da Assembleia Legislativa (Alema), a deterioração dos recursos hídricos do Parque Estadual do Bacanga, com a participação, também, de vários geólogos e do deputado Adriano Sarney (PV).

Rafael Leitoa explicou que a reunião serviu para tratar do novo modelo de governança de recursos hídricos de saneamento básico do Estado do Maranhão e, em especial, dos problemas enfrentados pelo Parque Estadual do Bacanga. Ele, que é vice-presidente da Comissão de Meio e Desenvolvimento Sustentável da Alema, disse que criou a comissão especial para tratar deste tema, por solicitação da professora de Geologia da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Ediléa Dutra Pereira, que fez um estudo sobre os problemas enfrentados pela unidade de conservação.

O presidente da Comissão Especial afirmou, também, que há risco de colapso no abastecimento e lembrou a luta pela Criação do Comitê da Bacia do Rio Parnaíba, já com nomeação de diretoria provisória, proposta feita também por ele. Elogiou a luta dos geólogos e disse que eles têm muito a colaborar com as informações no processo pela conservação do Parque do Bacanga. Defendeu, ainda, que é preciso fiscalizar para reduzir a deterioração.

Ao falar, o deputado Adriano Sarney destacou a luta da entidade em defesa dos lençóis freáticos, por conta de água ser vida, tema de relevância para a Ilha, e propôs que as outras reuniões sejam à tarde.  Ele fez algumas perguntas sobre o andamento do processo de deterioração e viu o documento mostrado pela associação sobre “O Retrato do Caos”, além de chamar a Caema.

Preservação

A professora Ediléa Dutra é vice-presidente da Associação dos Geólogos do Maranhão (Agema) e participaram, também, do encontro os geólogos Hélio de Oliveira Costa, Agenor Jaguar e Antônio Coelho, que destacaram a importância do encontro e mostraram slides do projeto “SOS Parque Estadual do Bacanga”, por conta de a região ser ponto estratégico para preservação de água doce e onde há a localização de vários poços da Caema.

Agenor Jaguar fez um resumo da história do Parque Estadual do Bacanga, criado no governo do presidente Vargas, mas que, agora, estaria reduzido a área quase pela metade, enquanto a população do Bacanga teria aumentado em dez vezes. De acordo com o geólogo, a população da Ilha é de 1 milhão de moradores e a área foi reduzida de 3,75hc para 2600hc. Assim, o lençol freático não absorve a quantidade de água necessária e há avanços de invasões, o que vai prejudicar, ainda mais, o abastecimento de água da Ilha.

A professora Ediléa Dutra agradeceu ao deputado Rafael Leitoa por ter aceitado o convite para debater os recursos hídricos da Ilha e, em particular, do Parque do Bacanga. “Um milhão de habitantes é demais. Densidade demográfica de 1,217 hab-km². É uma luta de 20 anos, mas pouco foi feito pelo poder público. Até agora, a cunha salina ainda não chegou ao parque, mas já é verificada em outros pontos da Ilha, abastecidos por água salobra. Temos que reagir antes do lençol ser atingido”, advertiu.

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