Caxias: oportunismo, má fé e preconceito.

Em Caxias o alerta vermelho foi acesso quando a cidade contou seus dois primeiros pacientes com testagem positiva para COVID-19, deixando, e com razão, grande parte da população apreensiva com a chegada do vírus a cidade.

A chegada da doença na terra dos poetas adquiriu contornos políticos, e claro o oportunismo de má fé, quando se soube que os infectados eram a Secretária de Saúde, Socorro Melo, e seu filho que reside em Fortaleza e voltou para Caxias após a capital cearense paralisar por conta do crescimento do número de infectados.

O episódio ficou mais dramático após o rapaz infectado ir até uma farmácia adquirir medicação. Rapidamente, agindo de forma antiética, atendentes da farmácia fizeram circular por toda cidade que o rapaz doente estaria circulando livremente pela Caxias, como se uma pessoa doente, precisando de remédios, não pudesse mais ir até uma farmácia. A narrativa criada tem feito circular pela redes sociais dos caxienses uma série de ataques a pessoa da Secretária de Saúde, ao rapaz e até mesmo ao prefeito Fábio Gentil, que nada tem haver com o comportamento pessoal da população e principalmente dos Secretários Municipais e seus familiares.

Este episódio expõe o grande preconceito que ainda norteia a vida dos Brasileiros. Pessoas com suspeita e Infectados pelo COVID-19 além de enfrentar a doença precisam lidar também com o preconceito de grande parte da população, por todo Brasil tem surgido relatos de pessoas que sofrem por conta do tratamento discriminatorio que tem recebido, até mesmo que já foi curado recebe tratamento discriminatório.

“Nesses dias soube de fotos minhas rolando em grupos de Uber da cidade e sabe-se lá onde mais. Minha irmã foi gentilmente convidada a não ir para a escola também (…) para mim, é incompreensível o quanto as pessoas destilaram ódio gratuito com a notícia (…) podia ser alguém da família de qualquer outra pessoa. Podia ser alguém que nem tirou os pés da cidade. Podia ser muita coisa, só não podia ser falta de respeito”, falou jovem paulista com suspeita de COVID-19 ao comentar os ataques que tem sofrido.

Muitos esquecem que medidas simples, como lavar as mãos corretamente, fazer uso de álcool em gel, usar máscaras, são hábitos que uma vez adotados diminuem grandemente os riscos de uma contaminação.

E não custa lembrar, não confundir prevenção com preconceito. Preconceito é feio, deve ser combatido e nunca estimulado. Não repassem mensagens de ódio, dissemine esperança.

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